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Quando se fala na renúncia, cassação ou impeachment, preocupação com o futuro do país sobe de nível. Nada é tão ruim que não possa piorar. A delação ...
Opinião 22 de maio 2017 09h:15
Sem reforma, o que é ruim estará pior

Quando se fala na renúncia, cassação ou impeachment, preocupação com o futuro do país sobe de nível.

Nada é tão ruim que não possa piorar. A delação dos donos da JBS, que colocou o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves no centro da Lava Jato, está aí para, mais uma vez, dar veracidade ao velho ditado.

E quando se fala na renúncia, cassação pelo TSE ou impeachment de Temer e se olha às voltas para ver as opções existentes para uma eventual disputa presidencial à preocupação com o futuro do país sobe de nível, pois elas (as opções) não são nada animadoras.

Vejamos as principais:

Lula, cujo PT e outros partidos aliados querem o ou impeachment  de Temer por puro revanchismo político, dispensa maiores comentários a não ser o óbvio: de que ele não tem a menor condição moral  para voltar a ser presidente. 

O deputado Jair Bolsonaro é louco de pau e pedra. Ele se coloca como cavaleiro da salvação, mas só consegue destaque na mídia por seus arroubos preconceituosos ou atitudes prepotentes. Bolsonaro é o Trump brasileiro e não tem condições psicológicas para ser presidente. 

Além disso, alguns veem o Bolsonaro como o herói capaz de nos salvar, mas como sempre digo, o Brasil não precisa de heróis, até porque o último político que foi tido como herói,  no caso Fernando Collor, que se apresentava como caçador de marajás, acabou sofrendo um  impeachment por corrupção.

A ex-senadora Marina Silva é uma figura frágil politicamente, não tem atitudes convincentes, sua fala não passa segurança e nem confiança,  tem um discurso econômico jurássico que prega a intervenção do Estado na economia, modelo sobre o qual não faltam exemplos de que não funciona, e um discurso macro confuso. Não tem a força necessária para ser presidente.

O governador paulista Geraldo Alckmin está citado nas delações da Odebrecht e, portanto, já entraria em uma campanha presidencial na defensiva, isso sem contar o fato de que poderá ser formalmente indiciado, perdendo assim a condição moral de ser candidato.

O prefeito paulista João Dória Junior é hoje o político com maior destaque positivo. Não resido em São Paulo, portanto, não sei a realidade de seu trabalho, o que sei é que ele faz um belo trabalho de marketing e tem momentos em que se comporta como um showman (quando se veste de gari, por exemplo).  Só para lembrar Collor também foi produto de marketing. 

No segundo time de opções surgem outros nomes, como o apresentador Luciano Huck, o apresentador e empresário Roberto Justus, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-deputado Ciro Gomes (político marcado por falas destemperadas). Todos sendo uma verdadeira incógnita. 

Enfim, a conclusão que se chega é que infelizmente não temos hoje um político que reúna a serenidade, o equilíbrio, a reputação e a força política necessária para assumir o leme do navio chamado Brasil e conduzi-lo para águas mais calmas.

E isso acontece porque o nosso sistema político favorece a perpetuação no poder daqueles que lá estão. Há quanto tempo ouvimos falar em Temer, Aécio, Lula, Renan, Eunício, Sarney, Serra, Alckmin, Jader Barbalho, Geddel Vieira, Roberto Freire, Ronaldo Caiado, Carlos Bezerra, Eunício Oliveira, Aloysio Nunes, Fernando Henrique, Edison Lobão, dentre outros?

Para o país voltar a sonhar com novas lideranças, com homens e mulheres comprometidos com a boa política, com a ética e com o efetivo desenvolvimento do Brasil e a consequência diminuição das desigualdades sociais, é preciso promover uma profunda reforma no sistema político.

Governo, deputados e senadores debatem atualmente as reformas trabalhistas e da previdência, mas como tudo gira em torno da política, a reforma do sistema político é a mãe de todas as reformas e hoje deveria ser ela a principal pauta do debate no Congresso Nacional.

Mas como uma reforma política séria e que realmente coloque as coisas no seu devido lugar implicará em corte de privilégios e mudanças nos mecanismos que hoje facilitam a permanência no poder daqueles que lá estão há anos, ela acaba sempre ficando em segundo, em terceiro plano.

Sem a reforma politica e consequente  fim dos privilégios políticos/eleitorais vamos continuar vendo o que é ruim sempre piorar,  continuaremos sendo “representados” pelos políticos de sempre  e, por consequência, sendo vítimas de um sistema que tira do nosso suor o dinheiro que paga o uísque servido nos gabinetes dos poderes.

Agnello de Melo e Silva é jornalista e morador em Jaciara/MT

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